Tratamento para vício em jogos

Os 4 tratamentos mais eficientes para vício em jogos!

Agende uma avaliação psicológica!

O primeiro passo é sempre o mais importante em qualquer jornada.

Sumário

Falar sobre vício em jogos ainda é um tema carregado de julgamentos.

Existem famílias que não entendem, profissionais que minimizam a situação e jogadores que no fundo sabem que perderam o controle.

O Brasil conta com cerca de 1,4 milhão de pessoas com diagnóstico formal de transtorno de jogo, e outros 10,9 milhões apresentam comportamento de risco ou dependência associada a apostas, números que crescem junto com a expansão das bets online e dos jogos eletrônicos, segundo o LENAD III (UNIFESP/UNIAD, 2025).

Se você chegou até este artigo, é possível que esteja sentindo o peso disso tudo de alguma forma, seja como jogador que reconheceu o problema ou como familiar que não sabe mais o que fazer.

A boa notícia é que existem tratamentos eficientes, caminhos concretos e, mais do que isso, existe saída.

Acompanhe esse conteúdo, até o final, pois vou explorar o tema a fundo e compartilhar informações que podem fazer toda a diferença!

O que é o vício em jogos e como identificar?

O vício em jogos é uma condição real, reconhecida pela medicina e com critérios diagnósticos bem estabelecidos.

Não é fraqueza, não é falta de caráter, é um transtorno que afeta o controle do comportamento e que, como qualquer outra dependência, precisa de tratamento adequado.

Nos tópicos a seguir, você entenderá melhor o que define esse vício, quais são seus tipos e como reconhecer os principais sinais.

Definição e reconhecimento pela OMS

O gaming disorder foi oficialmente incluído na Classificação Internacional de Doenças (CID-11) pela Organização Mundial da Saúde em 2018, entrando em vigor em janeiro de 2022.

Esse reconhecimento é fundamental!

Ele valida o sofrimento de quem vive com esse problema e abre portas para que o tratamento seja levado a sério, tanto pelos profissionais de saúde quanto pela própria família.

A definição oficial da OMS descreve o transtorno como:

“Padrão de comportamento de jogo persistente ou recorrente, manifestado por controle prejudicado sobre o jogo, prioridade crescente dada ao jogo sobre outras atividades ao ponto de o jogo ter precedência sobre outros interesses e atividades diárias, e continuação ou escalada do jogo apesar da ocorrência de consequências negativas.”

Em outras palavras, vício em jogos não é um “exagero passageiro”.

É uma condição com critérios clínicos objetivos e reconhecê-la como tal é o primeiro passo para agir.

Tipos de vícios em jogos

É importante entender que o “vício em jogos” não é um fenômeno único.

Existem, basicamente, dois perfis principais:

  • Vício em jogos eletrônicos (gaming disorder): envolve videogames, jogos online, RPGs e plataformas digitais, com foco na imersão e na progressão dentro do ambiente virtual.
  • Jogo patológico (gambling disorder): inclui apostas esportivas, cassinos online, bets e jogos de azar, onde o elemento financeiro e a excitação do risco são centrais.

Ambos compartilham o mesmo mecanismo de fundo, o reforço variável, que mantém o cérebro em estado de antecipação constante, tornando muito difícil simplesmente “parar”.

Um estudo do Instituto de Psicologia da USP revelou que quase 30% dos adolescentes brasileiros fazem uso problemático de videogame, um dado que chama atenção para a dimensão do problema entre os mais jovens.

Principais sintomas

Jogar muito não é, por si só, um problema.

O que diferencia um jogador entusiasta de alguém com vício é o impacto real que o jogo causa na vida.

Os principais sintomas a observar são:

  • Dificuldade ou incapacidade de controlar o tempo dedicado ao jogo;
  • Abandono ou negligência de responsabilidades profissionais, escolares ou familiares;
  • Irritabilidade, ansiedade ou agressividade quando impedido de jogar;
  • Mentiras sobre a quantidade de tempo ou dinheiro gasto no jogo;
  • Sintomas de abstinência ao tentar parar, entre eles, insônia, inquietação e humor deprimido;
  • E, uso do jogo como fuga de problemas emocionais ou de sentimentos difíceis de suportar.

Para que o diagnóstico formal seja feito, a CID-11 exige que esses comportamentos estejam presentes por pelo menos 12 meses consecutivos.

Se um familiar reconhece três ou mais desses sinais na pessoa querida, já é hora de buscar uma avaliação profissional.

Principais causas do vício em jogos

O vício em jogos nunca tem uma causa única.

Entender o que está por trás desse comportamento é essencial tanto para o tratamento quanto para afastar ideias simplistas como:

“É culpa do jogo” ou “É falta de força de vontade”.

Na realidade, há pelo menos três grandes eixos que contribuem para o desenvolvimento da dependência:

  • O biológico;
  • O psicológico;
  • E, o ambiental.

Fatores biológicos e genéticos

O cérebro humano é o primeiro ponto de partida.

O vício em jogos ativa o sistema de recompensa dopaminérgico da mesma forma que outras dependências.

O jogo oferece estímulos intensos, rápidos e imprevisíveis que ensinam o cérebro a buscar aquela sensação repetidamente.

Além disso, há uma predisposição genética real.

Pessoas com histórico familiar de dependência química, alcoolismo ou comportamentos compulsivos apresentam maior vulnerabilidade a desenvolver o quadro.

Isso não significa que quem carrega essa predisposição está condenado.

Significa, sim, que o tratamento precisa considerar esse fator e que reduzir o vício a uma questão de “caráter fraco” é, além de equivocado, profundamente prejudicial para quem precisa de ajuda.

Fatores psicológicos

Para muitos jogadores, o jogo não é um passatempo, é um refúgio.

Uma forma de escapar da ansiedade, da solidão, da depressão ou de uma autoestima que não sustenta o peso do cotidiano. 

O jogo, nesses casos, não é o problema central, é muitas vezes o sintoma visível de algo que ainda não foi olhado de frente.

Essa percepção ganha força quando se olha para os dados.

Pesquisadoras do Instituto de Psicologia da USP identificaram que:

“57% da amostra joga para esquecer problemas. Isso por si só, independente de preencher os critérios para se enquadrar no transtorno, já está relacionado com desfechos mais negativos, como uso de tabaco, bullying, sintomas emocionais, problemas na escola, problemas de relacionamento com os pais.” — Luiza Chagas Brandão, psicóloga (IP/USP) — Revista Crescer, 2022

Tratar apenas o comportamento de jogar, sem investigar o que o sustenta, raramente produz resultados duradouros.

Por isso, o tratamento eficaz precisa ir além da superfície.

Fatores ambientais e sociais

O ambiente em que a pessoa vive importa, e muito.

A disponibilidade dos jogos 24 horas por dia, o anonimato das plataformas online, a publicidade agressiva das apostas esportivas e a facilidade de acesso via celular criaram condições ideais para o desenvolvimento da dependência.

Isso foi potencializado pela pandemia de COVID-19, que aumentou o isolamento social e empurrou muitas pessoas para o mundo digital como principal fonte de conexão e entretenimento.

Um levantamento divulgado pelo portal Afya aponta que mais de 28 milhões de brasileiros estão em situação de risco relacionada ao uso problemático de jogos, um dado que deixa claro que o problema transcende a responsabilidade individual e exige uma leitura social mais ampla.

Os principais fatores de risco incluem:

  • Acesso irrestrito a jogos e apostas via celular, a qualquer hora;
  • Ausência de uma rede de apoio social sólida;
  • E, ambiente familiar com conflitos frequentes ou negligência emocional.

4 principais formas de tratamento para o vício em jogos

Não existe um tratamento único para o vício em jogos, o que existe é um conjunto de abordagens que, quando combinadas de forma adequada ao perfil da pessoa, produzem resultados sólidos e duradouros.

A seguir, vou apresentar as 4 formas de tratamento mais eficientes e reconhecidas atualmente.

Vale lembrar que, quanto antes o tratamento for iniciado, maiores as chances de uma recuperação consistente.

1. Psicoterapia

A psicoterapia é o pilar central de qualquer tratamento para vício em jogos.

É no espaço terapêutico que o jogador tem a oportunidade de investigar o que realmente está por trás do comportamento compulsivo, os medos, as feridas, os padrões relacionais e as formas de existir que tornaram o jogo a saída mais acessível.

A abordagem fenomenológica-existencial oferece uma leitura profunda e singular do vício.

Em vez de focar apenas nos comportamentos e pensamentos disfuncionais, ela convida o jogador a investigar as questões mais fundamentais de sua existência, o sentido que busca, os vazios que tenta preencher, a forma como se relaciona com a liberdade, a responsabilidade e o outro.

Nessa perspectiva, o jogo compulsivo frequentemente revela um sofrimento existencial genuíno, a dificuldade de habitar o presente, o medo do encontro real, a fuga de uma vida que parece sem direção ou significado.

O trabalho terapêutico não é corrigir o paciente, mas caminhar com ele na redescoberta de seu próprio modo de existir.

O vínculo de confiança entre terapeuta e paciente, por si só, já é um fator terapêutico de peso, muitas vezes, o primeiro espaço onde o jogador se sente genuinamente ouvido sem julgamento.

2. Tratamento psiquiátrico e medicamentos

Em muitos casos, o vício em jogos vem acompanhado de outros transtornos mentais, entre eles:

  • A depressão;
  • Ansiedade generalizada;
  • TDAH;
  • E, transtorno bipolar.

É nesse cenário que o acompanhamento psiquiátrico se torna essencial.

Vale deixar claro que, até o momento, não existe medicamento aprovado especificamente para o gaming disorder ou para o jogo patológico.

O que a psiquiatria faz, nesses casos, é tratar os transtornos associados, criando condições neurobiológicas mais favoráveis para que a psicoterapia e as outras intervenções produzam efeito.

Usar medicação não é sinal de fraqueza, é uma ferramenta que pode fazer toda a diferença para quem enfrenta uma carga emocional intensa.

O recomendado é sempre que o tratamento psiquiátrico seja realizado em conjunto com a psicoterapia, e não de forma isolada.

3. Clínicas de reabilitação especializadas

Para casos mais graves quando a pessoa perdeu quase completamente o controle sobre o comportamento, há comprometimento severo das funções sociais e familiares, ou riscos financeiros e emocionais elevados, as clínicas de reabilitação especializadas representam uma alternativa estruturada e eficaz.

Essas clínicas oferecem atendimento multidisciplinar, com psicólogos, psiquiatras, terapeutas ocupacionais e assistentes sociais trabalhando de forma integrada.

O tratamento pode ser feito em regime ambulatorial com consultas regulares sem necessidade de internação ou em regime residencial, para casos que exigem um afastamento do ambiente de risco.

Buscar uma clínica especializada não é admitir derrota.

É, na verdade, um dos atos de maior autocuidado diante de uma situação que saiu do controle.

4. Grupos de apoio

Os grupos de apoio são uma peça fundamental no quebra-cabeça da recuperação.

No Brasil, os Jogadores Anônimos são o principal grupo de suporte disponível, com reuniões presenciais em diversas cidades e reuniões online acessíveis de qualquer lugar do país.

O modelo é baseado nos 12 passos, o mesmo princípio que fundamenta os Alcoólicos Anônimos, e funciona através da partilha de experiências entre pessoas que vivem a mesma batalha.

Saber que não está sozinho, ouvir histórias de quem passou pela mesma dificuldade e encontrou um caminho de saída, é terapêutico por si só.

O grupo de apoio não substitui o acompanhamento profissional, mas complementa o tratamento de forma poderosa, especialmente na fase de manutenção da recuperação.

O anonimato é um princípio central, o que reduz significativamente a barreira do estigma para quem chega pela primeira vez.

Como ajudar alguém com vício em jogos?

Quando a dependência é de alguém próximo, a dor também é do familiar.

Ver uma pessoa querida se perdendo no vício e não conseguir alcançá-la é exaustivo e angustiante.

Mas, a forma como o familiar age nesse momento pode facilitar ou dificultar, e muito, a decisão do jogador de buscar ajuda.

Pequenas mudanças de postura podem abrir janelas onde antes só havia muros.

Demonstre empatia e evite julgamentos

A primeira coisa a abandonar é a ideia de que “falar duro” vai resolver.

Frases como “você não tem força de vontade”, “é só parar de jogar” ou “você está destruindo a família” aumentam a vergonha, aprofundam o isolamento e afastam a pessoa de qualquer disposição para mudar.

O vício é uma doença, não uma escolha moral. 

Tratar o jogador como alguém que fracassou é o caminho mais eficiente para que ele se feche ainda mais.

Adotar uma postura de escuta genuína, sem julgamentos e sem ultimatos apressados cria um ambiente de confiança onde o jogador pode, aos poucos, reconhecer o próprio problema.

Empatia não é conivência, é possível cuidar com firmeza e afeto ao mesmo tempo, mantendo limites claros sem transformar cada conversa em confronto.

Ofereça apoio para encontrar tratamento

Antes de conversar com a pessoa sobre buscar ajuda, vale a pena que o familiar chegue com informações concretas, como:

  • Opções de psicólogos;
  • Clínicas;
  • Grupos de apoio;
  • E, horários disponíveis.

Chegar com alternativas reais reduz a resistência e transmite seriedade.

Não é uma acusação, é um convite.

Oferecer-se para acompanhar na primeira consulta ou na primeira reunião do grupo de apoio pode fazer toda a diferença para quem está atravessando a vergonha de pedir ajuda pela primeira vez.

E, um ponto que muitos familiares esquecem é que, o familiar também precisa de suporte.

O grupo Jog-Anon existe especificamente para apoiar as famílias de jogadores compulsivos.

Cuidar de si mesmo não é abandono, é o que permite ao familiar sustentar o processo a longo prazo.

O papel da família no processo de recuperação

A família não é apenas espectadora da recuperação, ela é parte ativa e essencial desse processo.

O ambiente doméstico pode funcionar como fator de proteção ou de risco, dependendo de como se estrutura.

Criar uma rotina estável em casa, reduzir os gatilhos que favorecem o retorno ao jogo e celebrar pequenas conquistas ao longo do processo são atitudes concretas que fazem diferença real.

Ao mesmo tempo, é fundamental que a família esteja atenta a comportamentos contraproducentes como pagar repetidamente as dívidas geradas pelo vício sem que haja nenhuma consequência real, ou exercer cobranças tão intensas que o ambiente doméstico se torne mais estressante do que o próprio jogo.

Em alguns casos, a terapia familiar com um profissional que conhece a dinâmica das dependências é o recurso mais indicado para reequilibrar as relações e sustentar a recuperação de forma coletiva.

O processo de recuperação, quando acontece com o suporte de uma família presente e preparada, costuma ser mais consistente e duradouro.

Prevenção e manutenção da recuperação

Recuperar-se do vício em jogos não é um evento, é um processo.

E, como todo processo, ele tem altos e baixos.

Compreender isso de antemão muda a relação com a recuperação.

Ela deixa de ser uma linha de chegada e passa a ser uma prática contínua de autocuidado.

Os dois pilares dessa fase são a prevenção de recaídas e a construção de uma nova forma de viver.

Estratégias e prevenção de recaídas

Recaídas podem acontecer, e não significam fracasso.

São, muitas vezes, parte do processo de aprendizagem sobre os próprios limites.

O que diferencia uma recaída de uma derrota é a existência de um plano.

Prevenir a recaída é tão importante quanto o tratamento inicial. 

Segue algumas estratégias práticas que podem ajudar:

  • Identificar os gatilhos pessoais: tédio, estresse, conflitos familiares, solidão;
  • Criar regras claras de uso digital e contar com um responsável de confiança para apoio mútuo;
  • Manter o acompanhamento terapêutico mesmo nos períodos de melhora (interromper cedo é uma das causas mais comuns de recaída);
  • Ter um plano de ação para momentos de fissura (craving): uma lista de atitudes imediatas para atravessar a intensidade da vontade sem ceder.

A fissura é real e intensa, mas é temporária.

Com as ferramentas certas e o suporte adequado, ela passa.

Desenvolvimento de novos hábitos e interesses

Quando o jogo ocupa todo o espaço da vida de uma pessoa, parar cria um vazio real.

E vazio, sem ser preenchido com algo significativo, tende a puxar de volta ao ponto de origem.

A recuperação é também um processo de redescoberta: 

  • Quem sou eu além do jogo?
  • Quais eram os meus interesses antes?
  • O que me dá prazer fora do ambiente virtual? 

Não se trata de proibir o lazer digital de forma definitiva, mas de diversificar as fontes de prazer e sentido entre esportes, atividades criativas, conexões sociais presenciais ou projetos pessoais.

Uma rotina estruturada, com horários definidos e atividades variadas, é um dos maiores fatores de proteção contra a recaída e de construção de uma vida que valha a pena ser vivida fora das telas.

Como e quando devo buscar ajuda?

Se há sofrimento, seja do jogador, seja do familiar, esse é o momento certo.

Não existe “esperar ficar pior” como critério para pedir ajuda.

Para quem busca opções gratuitas ou de baixo custo, os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e as Unidades Básicas de Saúde (UBS) oferecem atendimento especializado pelo SUS em todo o Brasil.

Os grupos de apoio, como os Jogadores Anônimos, também são gratuitos e amplamente acessíveis.

Uma avaliação psicológica não é um compromisso definitivo, é simplesmente o primeiro passo para entender o que está acontecendo e quais caminhos fazem mais sentido para aquela situação específica.

Pedir ajuda não é fraqueza.

É o ato mais corajoso de quem reconhece que chegou num ponto em que não precisa, e não deve, seguir sozinho.

Pronto para dar o primeiro passo?

Se você ou alguém da sua família está enfrentando o vício em jogos e quer entender melhor o que está acontecendo, agende uma avaliação psicológica.

O espaço terapêutico é um lugar de escuta genuína, sem julgamentos onde é possível olhar para o problema de frente e construir, juntos, o caminho mais adequado para cada situação.

No mais, quero agradecer por você ter chegado até aqui.

Foto de perfil de autor - Wilson Montevechi - Psicólogo em Campinas -SP

Wilson Montevechi

Sou Psicólogo, Professor de Filosofia e Mestre em Educação! Utilizo a abordagem Fenomenológica – Existencial afim de oferece um diálogo profundo entre a Psicologia e a Filosofia, proporcionando um maior conhecimento do Ser Humano em seus aspectos racionais e emocionais.

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